Enzimologia e sua relação com o Farmacêutico

03-02-2020
Margareth Cunha

A Enzimologia é um ramo da Bioquímica que estuda a estrutura e função das biomoléculas fundamentais à vida: enzimas. Seres vivos, em geral, apresentam alta dependência por enzimas para que possam viver e se reproduzir, e quanto mais complexo o organismo, maior é o número de enzimas envolvidas nos mais variados processos metabólicos. Mas vamos primeiramente conhecer o que são estas moléculas tão fascinantes.

Enzimas são, na sua maioria, proteínas catalisadoras, ou seja, aceleram reações químicas que podem apresentar aumentos significativos (10 elevado à 12a. potência, por exemplo), quando comparadas às reações não catalisadas – e isso tudo em um ambiente de pH ameno  e temperatura mediana, ao menos para a grande maioria delas. De acordo com Nelson e Cox (2011), boa parte da história da bioquímica é a história da pesquisa sobre enzimas, que tem seus primeiros vislumbres no final dos anos 1700 em estudos da digestão de carne por secreções do estômago, seguidos por observações da conversão do amido em açúcar pela saliva, no século seguinte. Nos anos de 1850, Louis Pasteur concluiu que a fermentação do açúcar em álcool  por leveduras é catalisada por “fermentos”, e que os mesmos eram inseparáveis das células de levedura viva, o que foi rebatido por Eduard Buchner em 1897, quando demonstrou que extratos de levedura ainda podiam fermentar o açúcar – haviam moléculas ativas  separadas das células. Mais tarde, Frederick W. Kuhne deu o nome de “enzimas” para as moléculas detectadas por Buchner.

Ao longo dos anos seguintes, com a utilização de técnicas de cristalografia, milhares de enzimas foram identificadas, e seus mecanismos de ação, elucidados. Naturalmente, suas aplicações em nível industrial não tardaram a ocorrer, e assim, enzimas derivadas de fontes animais, vegetais e microbianas passaram a fazer parte dos mais variados processos industriais: têxteis, alimentícios, e claro, farmacêuticos, em um mercado que não para de crescer – hoje, enzimas para uso industrial perfazem aproximadamente 60% de todo o mercado de enzimas.

Na indústria farmacêutica, as enzimas tem grande importância em vários segmentos, não somente na aplicação de enzimas para otimizar processos industriais, mas também na pesquisa e desenvolvimento de fármacos para usos diversos: um bom exemplo disso é a L-asparaginase, enzima industrial usada no tratamento de leucemias linfoblásticas agudas. Além disso, na indústria cosmética, enzimas tem papel importante nos produtos para esfoliação da pele, produtos anti-sinais e para o combate da celulite – e estes são somente alguns exemplos. Muito mais se espera das próximas gerações de farmacêuticos que se formam a cada semestre, profissionais cada vez mais conectados com as novas tecnologias, prontos para encarar novos desafios na aplicação da biotecnologia no desenvolvimento de novos produtos, e para tanto, conhecer a enzimologia será o grande diferencial.

Autora: Cláudia Rizzi

Margareth Cunha

Margareth Cunha

Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade de Mogi das Cruzes e Especializada em Docência no Ensino Superior pela Universidade Brazcubas. Atualmente atua como Coordenadora do Curso de Farmácia da Brazcubas.

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